Entre o passado e o presente

I Concurso de Releitura de Capas de Discos de Vinil une criatividade e memória

O I Concurso de Releitura de Capas de Discos de Vinil, organizado pelo projeto de extensão Arte na Capa em parceria com o MULTICOM, evento anual do curso de Comunicação e Multimeios, reuniu 12 participantes para reinterpretar capas clássicas unindo arte e modernidade. A atividade contou com o patrocínio da Melômano Discos e da Disquadro que premiaram as três releituras mais votadas pelo público, além de um kit extra, que foi sorteado entre os mais de 400 votantes na disputa.

A equipe do projeto selecionou 16 capas,de álbuns lançados nas décadas de 1960, 1970, 1980 e 1990. O intuito da atividade foi explorar a criatividade, incentivar novas possibilidades de recriar capas de épocas diferentes e valorizar os traços de cada participante. “O concurso foi pensado, inclusive em virtude do MULTICOM, com o tema relacionado aos traços e à temporalidade, considerando, principalmente, as duas palestras principais”, explica André Bonsanto, um dos coordenadores do Arte na Capa. A palestra de abertura foi ministrada por Rozinaldo Miani, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), sobre charges. A docente Greice Schneider, da Universidade Federal de Sergipe (UFS), encerrou o evento abordando a questão do tempo em relação aos quadrinhos.

Paralelamente ao concurso, a exposição "Olhares sobre o Vinil", realizada entre os dias 16 e 30 de junho, na Galeria de Artes da Biblioteca Central (BCE) da Universidade Estadual de Maringá (UEM), reuniu parte do acervo do projeto Arte na Capa e as releituras produzidas pelos participantes. A mostra apresentou capas clássicas de discos de vinil, como Nevermind (1991), do Nirvana, além de álbuns de diferentes décadas e estilos musicais. O espaço proporcionou ao público universitário a oportunidade de conhecer discos até então desconhecidos, revisitar obras famosas e conferir as novas interpretações criadas pelos estudantes.

Ao final da seleção, a releitura de Miquéias Asaías, estudante de Comunicação e Multimeios, do disco da Rita Lee, Fruto Proibido, foi a vencedora. O jovem indicou que a inspirou para produzir uma versão de uma das capas mais famosas da rainha do rock surgiu em uma madrugada, quando estava em Marília, São Paulo, sua cidade natal.A proposta foi ganhando forma a partir de rabiscos e referências no Pinterest.

Para o estudante, o desejo foi o de manter a cor rosa e a pose da Rita Lee com o objetivo de modernizá-la com elementos gráficos e desenho digital, propondo, em sua visão, autoconfiança, determinação e oportunidade. Surpreso com o resultado, Asaías afirma que a conquista teve um grande significado por ser calouro, único representante escolhido do curso de Comunicação e Multimeios entre os vencedores e por seu trabalho ter sido reconhecido. "Mesmo sendo obras atemporais e capas de discos lembradas até hoje, é muito legal trazer traços dos anos 2000 para essas releituras. A gente brinca com a temporalidade e mostra que o passado continua dialogando com o presente", destaca. Música, memória e extensão universitária

O projeto de extensão Arte na Capa surgiu, em 2025, a partir de uma iniciativa do professor David Antonio de Castro Netto, do Departamento de História (DHI) da Universidade Estadual de Maringá (UEM), ao constatar certo abandono de vários discos de vinil na Biblioteca Central (BCE), pertencentes ao Museu da Bacia do Paraná. A proposta resultou em uma atividade que envolve docentes e graduandos dos cursos de História e Comunicação e Multimeios (CMM) da instituição. O processo de catalogação, higienização e organização desses discos para a composição do acervo é feito pelos estudantes com a orientação dos professores Roger Domenech e André Bonsanto, de CMM, e David Netto.

Para os estudantes, o projeto proporciona o aprendizado sobre práticas arquivísticas, o trabalho com acervos históricos, além das práticas arquivísticas, contato com mídias físicas que trazem uma forma de comunicação distinta. O objetivo do projeto é suprir tanto a comunidade da UEM quanto a externa, trazer o sentimento de nostalgia para pessoas que vivenciaram a época dos discos, mas que não tem mais acesso a esses meios, além da oportunidade de relembrar e propor o conhecimento para os jovens sobre os discos, tornando o passado colecionável a partir de exposições dessas mídias e eventos.

Para a participante do Arte na Capa, a estudante Anna Júlia Proença, o projeto trouxe experiências práticas para a formação acadêmica. Ela destaca que a participação tem ampliado o seu contato com outras áreas da cultura e da preservação da memória. "É interessante pensar na parte de acervo e memória, porque os discos ficaram parados por muito tempo e o projeto ressignifica esse objeto. A gente se conecta com a história e com toda uma arte que muitas vezes não conhecemos", afirma. No projeto, do qual está inscrita há três meses, participa da limpeza e catalogação dos discos, auxilia na organização das redes sociais e auxiliou na divulgação e organização do concurso.