Entre a adaptação à maternidade, a amamentação e as mudanças emocionais do pós-parto, muitas mulheres enfrentam o puerpério com dúvidas e sobrecarga. Com a intenção de oferecer apoio nesse período, surge o projeto de extensão Acolhimento Materno e Apoio no Retorno ao Lar (AMAR). Criada em 2024, a partir da pesquisa de pós-doutorado da professora Viviane Cazetta de Lima Vieira, atual coordenadora do projeto e docente do Departamento de Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá (UEM), a proposta segue em andamento. A ideia do projeto é acompanhar puérperas, mulheres que acabaram de dar à luz, atendidas no Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM/UEM) por meio de telemonitoramento e grupos de apoio online.
Atualmente, o projeto atua em duas etapas: a captação das mães ainda durante a internação no hospital e o acompanhamento após a alta. Semanalmente, um grupo de estudantes de Enfermagem vai até o HUM para obter informações sobre os partos recentes realizados no hospital, bem como convidar mães que deram à luz durante a semana para participar do projeto. Enquanto isso, outro grupo de estudantes de Enfermagem, que também integra o projeto, entra em contato por telefone para orientar as mulheres e acompanhar a saúde delas e dos recém-nascidos. Além disso, os estudantes e a coordenadora mantêm um grupo no WhatsApp com as mulheres durante os três primeiros meses de vida do recém-nascido.
Segundo a coordenadora Viviane Cazetta de Lima Vieira, muitas mães permanecem em contato mesmo após o período previsto de acompanhamento. “Muitas (mães) pedem para continuar (em contato), pois sentem no projeto um lugar de confiança e parceria. A gente vê o quanto é importante”, aponta. O projeto realiza um trabalho importante, que é a identificação dessas mulheres e como elas podem se ajudar nessa fase de descobertas sobre si mesmas e sobre o bebê. Em alguns casos, o suporte é prolongado quando a equipe identifica ausência de rede de apoio ou possíveis riscos à saúde mental da puérpera. “Muitas vezes é difícil de identificar esses sintomas (de depressão pós-parto) através do telemonitoramento, então observamos mais pela forma de falar da puérpera e pela aversão a certos assuntos” destaca a docente. Nesses casos, a mãe é incentivada e auxiliada pelos integrantes do projeto a procurar acompanhamento especializado nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) mais próximas do local em que moram.
Após todo o telemonitoramento semanal, os acadêmicos ficam responsáveis por preencher um relatório sobre o estado de saúde atual da mãe e do bebê e as principais demandas apresentadas. Visando a um acolhimento ético, eficaz e com informações corretas, os alunos também participam de diversas capacitações que dizem respeito à saúde da mulher e do recém-nascido. De acordo com a equipe do projeto, as dúvidas mais frequentes envolvem amamentação, sangramentos, cólicas, introdução inadequada de medicamentos e cuidados com a criança. Além disso, através dos relatórios e em relação ao Hospital Universitário, o próprio projeto encaminha certas demandas apresentadas pela puérpera para a maternidade do hospital. “A gente facilita algumas questões”, destaca Viviane Vieira.
Para o estudante Kauã Lopes, do segundo ano de Enfermagem e integrante do projeto, a sua experiência dentro do AMAR revelou uma realidade invisibilizada. “Eu acredito que muitas vezes a mulher acaba sendo deixada de lado e o bebê acaba sendo priorizado”, observa. A coordenadora acrescenta que essas ações acabam por fragilizar ainda mais a saúde da mulher, principalmente a psicológica. Já a estudante Helena do Prado, também aluna do segundo ano de Enfermagem e integrante do projeto de extensão, destaca que o contato direto com as mães permite compreender desafios que vão além do conteúdo aprendido em sala de aula e fortalece a formação humanizada dos futuros profissionais. “Na teoria, tudo é lindo, mas e na realidade?”, reflete a aluna.
A equipe do AMAR relata que o grupo do WhatsApp também se tornou um espaço de troca e amizade entre as próprias mães. “Muitas vezes uma mãe apresentava alguma dúvida e outra mãe auxiliava contando a sua própria experiência. Quando é de igual para igual, a gente sente que isso fortalece”, relata a professora. Junto disso, o projeto oferece em suas redes sociais conteúdos informativos sobre cuidados com o bebê, como manobras de desengasgo e introdução alimentar, bem como cuidados e direitos da mulher. Ao aproximar universidade, tecnologia e comunidade, o AMAR cria e fortalece redes de apoio, capacita alunos, amplia o cuidado oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e ajuda mulheres a atravessarem um dos períodos mais desafiadores da maternidade com mais informação, acolhimento e segurança. Yasmin Davanso
