Talento do paradesporto em Maringá

Guilherme Alves Lourenço é medalhista pelo time de handebol em cadeiras de rodas da UEM e é considerado um dos melhores do mundo na modalidade

Natural de Rosário do Sul, no Rio Grande do Sul, Guilherme Alves Lourenço tem 33 anos e conquistou duas vezes, em 2022 e em 2026, o título de MVP, sigla em inglês para Most Valuable Player, concedido ao jogador mais valioso da competição. O competidor é medalhista no handebol em cadeira de rodas pelo time Kings, associado à Universidade Estadual de Maringá (UEM). O paratleta, que vive em Maringá há nove anos, conta que já praticava esporte antes de ter a deficiência, que foi adquirida em 2012 decorrente de um acidente de moto. Em 2014, ele conheceu o basquete de cadeira de rodas, modalidade na qual iniciou sua trajetória no paradesporto, jogando em times de Curitiba e, posteriormente, de Maringá.

“Aqui em Maringá eu conheci o handebol, então comecei a praticar em 2017. O primeiro contato que eu tive foi aqui na UEM mesmo, juntamente com o professor Décio Calegari, que me apresentou o esporte”, conta. Ele explica que treina cinco vezes por semana com o time Kings e três vezes por semana na academia, realizando preparação física. A equipe está formada há muitos anos e é composta por atletas de várias partes do Brasil. Isso foi algo que ajudou o time e os próprios atletas a se desenvolverem. “Era tudo muito novo para todos, a cidade e tal. Então a gente foi crescendo junto e criando convívio”.

Durante o período da graduação em Educação Física na UEM, Lourenço mediava aulas de basquete para crianças no Centro de Referência Paralímpico de Maringá. Ele recorda como foi importante fazer esse acompanhamento e avalia que lugares como esse fazem a diferença no desenvolvimento físico e social de pessoas com deficiência. “Tem aquela identificação. Eles estão com crianças da idade deles, com as mesmas deficiências que eles. Aqui no Centro, é para eles a aula”.

Ele diz como o esporte é importante para todos, com alguma deficiência ou não, e como o ajudou a gerar autonomia, confiança e fez com que ele se desafiasse a não ficar parado. “Na época eu tinha 18 anos, sofri um acidente e perdi a perna. E se alguém chegasse e falasse ‘Tu vai ser atleta, vai jogar na seleção brasileira, vai ser campeão mundial, vai ser eleito o melhor atleta do mundo’, eu jamais imaginaria isso. Então o esporte me levou para lugares que eu jamais imaginei”.

Guilherme Alves Lourenço diz que não pensa em parar de praticar as modalidades e que ainda tem muitos planos no caminho do esporte. “Pretendo continuar competindo, jogando, ganhando e perdendo também, pois faz parte do processo de evolução. E na parte pessoal, pretendo casar e ter filhos”. Além disso, o desportista conta que está animado para os próximos torneios deste ano e espera conseguir mais medalhas individuais e coletivas

O paratleta também fala sobre como foi emocionante receber o prêmio de Jogador Mais Valioso do handebol de cadeira de rodas e que títulos como esse destacam os competidores e o próprio paradesporto. Ele afirma que desde 2014 houve uma popularização das modalidades adaptadas em virtude das redes sociais, mas avalia que a divulgação do paradesporto ainda precisa melhorar e ganhar mais espaço, já que não é algo que a população, como um todo, tem conhecimento ou vê constantemente nos veículos de comunicação. “Espero que um dia uma CazéTV passe o mundial que a gente estiver jogando, que eles deem essa visibilidade que precisamos”, diz o medalhista. Guilherme Alves Lourenço complementa que atualmente poucas pessoas ganham evidência nas redes, porém é muito grande o número de atletas que se destacam no paradesporto, mas que ainda recebem pouca atenção da mídia.