Ailton Krenak e Marcelo Rubens Paiva são cogitados para a FLIM 2026

Feira Literária vai reunir escritores e artistas com o tema "A América é nossa"

A XIV Feira Literária de Maringá (FLIM) de 2026 terá como tema “A América é Nossa” e considera nomes como o ativista socioambiental indígena, escritor e poeta Ailton Krenak e o escritor e jornalista Marcelo Rubens Paiva. A informação é do professor e diretor de cultura da Universidade Estadual de Maringá (UEM), André Luis Rosa, integrante da organização do evento, que será realizada nos dias 08 a 10 de outubro, no estacionamento do Estádio Regional Willie Davids.

Ailton Krenak é escritor, ambientalista e líder indigena, sendo uma das principais vozes dos povos originários do Brasil. Autor de obras como “Ideias para adiar o fim do mundo” e “A vida não é útil", Krenak propõe reflexões sobre a preservação ambiental e a valorização dos saberes ancestrais indígenas. Sua trajetória dialoga diretamente com o tema da feira esse ano, ao defender uma compreensão do continente a partir da perspectiva dos povos originários, questionando as heranças da colonização e reafirmando a identidade e o protagonismo indígena na construção da história latino-americana. Em outubro de 2023, Krenak foi eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL), assumindo a cadeira de número 5, que pertenceu ao historiador José Murilo de Carvalho, morto em agosto daquele ano. O escritor recebeu 23 votos e se tornou o primeiro indígena a ocupar uma cadeira na ABL.

Marcelo Rubens Paiva é escritor, jornalista e dramaturgo. É autor de obras como “Ainda Estou Aqui” e “Feliz Ano Velho”. Em seus livros, aborda temas como democracia, direitos humanos e os impactos da ditadura militar brasileira, frequentemente a partir de experiências pessoais e familiares. Sua participação também dialoga com o tema anual da feira ao promover reflexões sobre a história política nacional.

A FLIM foi criada em 2014 e, em 2026, chega à sua 14ª edição. Ao longo dos anos, a feira tem promovido oficinas, palestras, venda de livros, mostras culturais e um espaço para artistas locais divulgarem o seu trabalho. “A FLIM cumpre um papel, como um espaço aglutinador de pensamentos, de produção de pensamentos em relação à cultura literária, mas sobretudo fomentar um encontro de artistas com o público em geral.” Em 2024, quando completou 10 anos, o evento foi tombado como patrimônio cultural imaterial da cidade de Maringá.

UEM na Flim

A UEM é uma das principais apoiadoras da organização da feira literária, valorizando a contribuição e o impacto que vem sendo gerado para a comunidade. Sua participação é reforçada por ser uma instituição de ensino que produz conteúdos literários, artísticos e culturais. Alunos também são incentivados a participar da organização do evento, é o caso do Júlio César do Nascimento, aluno do 4º ano de Comunicação e Multimeios que está participando dessa edição. Ele é estagiário na Diretoria de Cultura da universidade e já expôs um curta-metragem, com outros estudantes do curso, na edição anterior. “O principal é ter essa conversa com o exterior da universidade porque muitas vezes a gente acaba tendo um estigma do que é produzido aqui dentro, ficamos muito entre nós mesmos e infelizmente temos que ficar nos provando muito. Então, ter esse contato com o mundo exterior e outras instituições da cidade acaba nos dando esse respaldo do que produzimos, e mostrar que o que produzimos aqui na UEM tem utilidade para muita coisa”, avalia.

Neste ano o evento já está com seu edital fechado, cujo foco será a valorização dos trabalhos artísticos e culturais locais a fim de valorizar a produção de Maringá e região. Artistas locais têm a oportunidade de expor seus trabalhos à população, gerando interações que impactam os artistas, como relata Maria Fernanda Gobeti, conhecida como Mafer Dale, por conta da sua marca, ilustradora local que expôs na feira entre 2021 e 2025. A expositora relata que a presença do público é primordial para a continuidade do evento. “Se o público não vier, o evento não acontece”.

Com a cooperação entre alunos e professores da UEM, a valorização de todas as formas de expressão cultural é um incentivo significativo para participação do público. A FLIM é uma feira cultural de grande importância na comunidade local, A feira costuma trazer temas de relevância para os debates atuais, como no ano passado quando “Entre Mundos” abordou saúde mental e sustentabilidade. No ano anterior, com a temática “Qual o tempo que o tempo tem?” trazendo reflexão sobre o tempo e memória. A feira sempre se propôs a ser esse meio de interação e intercâmbio entre arte e cultura com a população norteparanaense.