Coluna: permanência estudantil na UEM

Uma reflexão sobre acesso, cotas e permanência na universidade pública

As universidades públicas têm o princípio de oferecer educação de qualidade gratuita a fim de formar academicamente estudantes para ter um olhar crítico da sociedade e relevância nas áreas de atuação, mas essas mesmas instituições não estão tendo uma criticidade em quem consegue concluir esses cursos ofertados. Tal incapacidade se comprova pela Diretoria de Assuntos Acadêmicos (DAA) da Universidade Estadual de Maringá (UEM), com mais de 10.000 ocorrências de desligamento desde 2020 de que mais do que números, deveríamos ouvir essas vozes. Com a implementação das cotas sociais, sejam elas de cunho socioeconômico, racial ou para outros grupos marginalizados, houve um aumento da diversidade de alunos que passaram a podem ingressar nessas instituições. Apesar da luta que foi a implementação desse modelo de ingresso, não podemos nos esquecer que os ditos mestres de conhecimento vindo de suas realidades abastadas e famílias influentes não queriam lidar com um público diferente deles mesmos, como Narciso encantado apenas de sua própria companhia, a vinda de alunos marginalizados na universidades, sobretudo a Universidade Estadual de Maringá (UEM) foi uma conquista de muita relutância por parte da comunidade tradicional. Com um corpo discente formado inicialmente pelos descendentes de famílias com riquezas acumuladas a séculos ao terem a implementação de cotas sociais depararam-se com o aumento do número de estudantes vulneráveis socioeconomicamente, que teriam que conciliar a vida acadêmica com o trabalho para conseguirem se manter. Apesar dessa mudança do corpo discente, esses alunos se deparam com uma realidade ainda elitizada e pensada no antigo modelo de realidade. Textos obrigatórios semanais densos, falta de espaço físico para que possam ter direito ao descanso. Além da realidade dura da vida acadêmica, esses alunos lidam com a especulação imobiliária alta, delimitando quem pode residir próximo a universidade já venham de uma realidade onde possam contar com rede de apoio financeiro. Professores que exigem aos estudantes conquistaram o diploma entregando sua saúde mental no processo, o corpo estudantil é a maioria avassaladora e quando a base se move a universidade se move, então que eles se movam segundo interesse discente, mantendo as instâncias de seus cursos vivas enquanto tem que ouvir que fazem de tudo menos estudar.

Nesse cenário, um dos únicos auxílios financeiros ofertados pela universidade, se mostra insuficiente para qualquer cidadão no contexto atual, bolsas permanência no valor de R$ 700,00, inferior a metade do salário mínimo. Menos da metade de um salário mínimo. Quais estudantes podem se manter e atingir as expectativas mínimas? E qual estudante que dará conta da leitura obrigatória, horas de extensão e atividade complementar e ainda trabalhar para se manter?

Os alunos que optaram pelo ensino superior público se veem obrigados a cancelar suas matrículas, afinal quem aguenta 4 horas de aula com fome e sono que vem da falta de dinheiro pra se alimentar e o tempo de transporte da sua casa até a universidade seguido pela hora de acordar para o trabalho de todo dia.

Assim, quem são os estudantes que estão se formando na UEM? Vemos quem consegue ingressar mas eles estão conseguindo permanecer? De fato, essa universidade está como o país, se esquecendo dos seus filhos pobres, racializados e fora da norma padrão.

Esses alunos cantam nos corredores, como aquela canção dos anos 2000, “Eu só quero é ser feliz, estudar tranquilamente na universidade que escolhi!”, mas ninguém ouve seus gritos.

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