Estudo da UEM dá novo destino a cascas de beterraba

Iniciativa transforma resíduos do RU em corantes, alternativa saudável aos aditivos artificiais

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Estadual de Maringá (UEM) reaproveita cascas de beterraba, descartadas pelo Restaurante Universitário (RU), na fabricação de corante natural para balas de gelatina. O objetivo é amenizar o desperdício de alimentos e diminuir o uso de corantes artificiais, que são prejudiciais à saúde.

O estudo, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Ciência de Alimentos do Centro de Ciências Agrárias (CCA), foi desenvolvido por Larissa Lira Delariça Navarro e orientado pelo docente Oscar de Oliveira Santos Jr. A pesquisa teve início em março deste ano e já foi concluída. Até o momento, o método foi usado apenas para fins acadêmicos. Segundo a pesquisadora, o corante natural da beterraba tem custo de produção inferior ao de corantes artificiais, muitos deles derivados do petróleo. Os produtos industrializados também podem acarretar em eventuais malefícios à saúde, como distúrbios intestinais e comportamentais. O legume, explica Larissa, “é característico por possuir antioxidantes e compostos bioativos anti-envelhecimento e anti-inflamatórios”.

A proposta também mostra como o próprio campus pode se tornar um espaço de pesquisa aplicada. Adriana Aparecida Pinto, coordenadora do RU, defende a relevância do trabalho apresentado. “Mostra a importância do restaurante universitário não só como um grande responsável pela permanência estudantil, mas também como um campo de atuação e desenvolvimento de pesquisas”.

Para transformar as cascas em corante alimentício, elas passam por um processo de higienização e secagem. O método é de baixo custo e pode ser ampliado para outras escalas de produção com diferentes alimentos, como cebola, cenoura e casca de pinhão. O corante extraído da beterraba pode ser aplicado em iogurtes, recheio de bolachas e qualquer alimento que tenha coloração avermelhada. O processo também pode ser reproduzido em casa, com itens como fogão e liquidificador. “Esse projeto revela que a ciência que produzimos na universidade pública não fica só em artigos científicos, ela pode ser aplicada diretamente por toda a sociedade”, destaca o orientador.

Cerca de 300 cascas são reaproveitadas sempre que há beterraba no cardápio. Apesar de ser realizado apenas para fim acadêmico, o método pode ser ampliado para escala industrial, agregando valor nutricional aos alimentos e contribuindo para o meio ambiente ao evitar o desperdício.